Mestre Fábio Ramos e o sucesso das beatas do Vale do Catimbau

Antes das 18h do primeiro dia da Fenearte, maior feira de artesanato da América Latina, Mestre Fábio Ramos já não tinha mais nenhuma das cerca de 240 beatas esculpidas em madeira que levou para vender. O sucesso chamou a atenção de quem passou pelo estande e confirmou o reconhecimento de um trabalho que nasceu no Vale do Catimbau, em Buíque, e hoje é um dos grandes representantes do artesanato pernambucano.

Esculpidas em madeira de umburana morta, recolhida de forma responsável na Caatinga, as beatas carregam traços marcantes da cultura do Agreste pernambucano. Cada peça passa pelas mãos de Mestre Fábio, que há anos se dedica à escultura em madeira e à formação de novos artesãos.

O resultado desse trabalho vai muito além das esculturas. Atualmente, mais de 43 famílias vivem da produção artesanal na região, transformando uma tradição cultural em geração de renda e desenvolvimento para a comunidade.

Durante nossa conversa, Mestre Fábio contou que está ampliando seu ateliê para receber visitantes. O projeto inclui uma pequena pousada integrada ao espaço de criação, onde turistas poderão acompanhar a produção das peças, participar de oficinas e conhecer de perto a cultura local.

Foi justamente esse detalhe que mais despertou minha curiosidade.

O Vale do Catimbau já é conhecido por suas formações rochosas, trilhas, sítios arqueológicos e pinturas rupestres, que fazem dele um dos principais destinos de natureza e aventura do Brasil. Agora, iniciativas como a de Mestre Fábio mostram que a região também tem potencial para se consolidar como um destino de turismo cultural e de experiência.

Recentemente, li sobre um projeto de vinicultura na região. Se ele avançar, o Vale do Catimbau poderá reunir natureza, arqueologia, gastronomia, artesanato e enoturismo em um mesmo roteiro.

Saí da Fenearte com uma nova pauta na minha lista de viagens.

Quero conhecer o ateliê de Mestre Fábio Ramos, entender de perto como nascem as famosas beatas e descobrir um lado do Vale do Catimbau que vai muito além das paisagens. Afinal, conhecer um destino também é conhecer as pessoas que ajudam a construir sua identidade.

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